Esta banda desenhada não é recente, mas continua atual... Então, se substituirmos a TV por um telemóvel, ainda mais atual fica!
Este blogue destina-se a orientar as sessões de trabalho no âmbito da disciplina de "Filosofia para Todos" da Universidade Sénior de Torres Vedras. Contacto: luisa.margarida.nogueira@gmail.com
Esta banda desenhada não é recente, mas continua atual... Então, se substituirmos a TV por um telemóvel, ainda mais atual fica!
A alegoria, ou mito, da Caverna é um dos textos mais célebres de Platão (427 a.c.- 327 a.c.) e da História da Filosofia. Com esta história imaginada, Platão pretendeu facilitar a compreensão das sua teorias filosóficas.
No entanto, esta história que facilmente se conta consegue adquirir significados múltiplos e sempre renovados.
Aqui transcrevemos o texto.
Remetemos, agora, para esta animação a que o grande cineasta Orson Wells empresta a voz, no video original.
Alegoria da Caverna, com Orson Wells
ACERCA
DA VERDADE - O RELATIVISMO DE PROTÁGORAS
«Pois afirmo
que a verdade é como eu [Protágoras] escrevi. Pois cada um de nós é a medida do
que é e do que não é, e no entanto cada um difere infinitamente do outro: para
um é uma coisa e assim aparece, a outro é e aparece outra coisa. E estou longe
de negar que exista a sabedoria e o homem sábio. Mas este mesmo a quem chamo
sábio é aquele de nós que, quando as coisas são e lhe parecem más, as muda, de
modo a aparecerem e serem boas. Contudo, não persigas este meu raciocínio pelas
minhas palavras, mas tenta compreender mais claramente aquilo que digo.
Recorda-te, pois, do que foi dito atrás, que, para quem está doente, aquilo que
come parece e é amargo, mas para quem está saudável aparece e é o contrário. E
não é preciso fazer mais sábio nenhum dos dois – pois não é possível – nem se
deve acusar o doente de ser ignorante por ter esta opinião, nem o saudável de
sábio por ter outra; mas deve fazer-se uma mudança no doente, porque é melhor o
estado do outro. Do mesmo modo, também na educação se deve fazer uma mudança de
um estado para outro melhor; mas o médico faz a mudança com remédios e o
sofista com discursos. Por conseguinte, não fez com que o que tem uma opinião
falsa tivesse posteriormente uma opinião verdadeira (…). Mas penso que uma má
disposição de ânimo faz surgir opiniões a ela conformes e uma boa, outras
diversas, e também em consonância com elas, representações a que alguns chamam
verdadeiras; mas eu chamo a umas melhores que a outras, mas não mais verdadeiras.
(…) E afirmo que os oradores sábios e bons fazem com que as coisas benéficas
pareçam ser justas às cidades, em vez de defeituosas. Pois aquilo que a cada
cidade parece justo e belo é isso para ela, enquanto assim o determinar. Mas o
sábio é aquele que faz serem e parecerem benéficas cada uma das coisas que para
os outros são defeituosas. E, pela mesma ordem de ideias, também o sofista,
assim, capaz de instruir os que são ensinados por ele, é sábio e merece muito
dinheiro da parte dos que educa. E, deste modo, uns são mais sábios do que
outros e ninguém tem uma opinião falsa.»
Platão, Teeteto, trad.de Adriana Nogueira
e Marcelo Boeri, Lisboa, Ed.Fundação Calouste Gulbenkian, 2005, 166d-167c.
11. Julgo que acerca das
coisas de que os meus antigos acusadores me acusaram disse já o bastante. Agora
vou tentar defender-me do bom Meleto, o amigo da cidade, como se diz, e dos
meus novos acusadores. Tal como fiz para os outros, pego no texto que juraram.
É assim: declara-se que Sócrates incorre em falta por corromper os jovens e por
não acatar os deuses que a cidade acata, mas divindades novas.
A
acusação é esta; investiguemos cada um destes pontos. Afirma-se que eu cometo
crime contra o que é justo, corrompendo os jovens. E eu, homens de Atenas,
digo-vos que Meleto comete injustiça por brincar com coisas sérias, atirando os
homens para a luta e fingindo zelar e cuidar de coisas de que nunca cuidou, nem
pouco nem muito. Que isto é assim, tentarei também mostrar-vos.
12.
Diz-me cá, Meleto, achas muito importante que os homens se tornem tão bons
quanto possível?
«Acho.»
Vamos,
diz então a estes juízes quem os faz melhores. É evidente que sabes, pois te
preocupas com isso. Já descobriste quem os corrompe, como dizes, uma vez que me
trouxeste diante dos juízes e me acusas. Agora, diz, revela quem é que os faz
melhores. Calas-te Meleto, não consegues falar? Não sentes como o teu silêncio
é vergonhoso e constitui prova bastante de não te preocupares com o assunto?
Diz-me, ó excelente! quem é que os faz melhores?
«As
leis.»
Não
foi isso que te perguntei, meu amigo. Perguntei-te que homem os faz melhores,
que homem melhor que todos conhece as leis?
«Estes
homens, Sócrates, os juízes.»
Que
dizes, Meleto? São estes homens capazes de educar os jovens e de os fazer
melhores?
«Mais
que todos.»
E
todos eles são capazes, alguns apenas, ou nenhuns?
«Todos.»
Por
Hera, que boa resposta! Que abundância há de homens úteis! E estes que nos
ouvem, fazem-nos melhores, ou não?
«Também
fazem.»
E os
Conselheiros?
«Os
Conselheiros também.»
Meleto,
e a assembleia? Os membros da assembleia corrompem os jovens? Ou também eles os
fazem melhores?
«Também
esses.»
Portanto,
todos os Atenienses, ao que parece, fazem os jovens bons e belos, a não ser eu;
eu e só eu os corrompo. É isso que dizes?
«É o
que digo.»
Condenas-me
a uma grande infelicidade. Mas responde-me: parece-te que se dá o mesmo com os
cavalos? Todos os homens os fazem melhores, enquanto um apenas os corrompe? Ou,
apenas um ou muito poucos – os tratadores de cavalos – são capazes de os
melhorar, enquanto a maioria dos homens, se os trata, os corrompe? Não é isso
verdade, tanto dos cavalos, quanto dos outros animais? Sem dúvida que é, quer
tu e Ânito o afirmem ou neguem. E seria uma imensa felicidade para os jovens,
se apenas um homem os corrompesse, enquanto os outros lhe fazem bem. Contudo,
Meleto, mostras bastante que não te preocupaste com os jovens; indicas
claramente o teu desinteresse, por nunca teres cuidado dos assuntos que me
acusas.
13.
Mas diz-nos ainda, meu caro Meleto: é melhor habitar entre concidadãos bons ou
maus? Responde-me meu amigo, pois não te pergunto nada que seja difícil. Não
fazem os homens vis mal àqueles que sempre estão perto deles, enquanto os bons
fazem bem?
«Certamente.»
E há
alguém que prefira ser prejudicado a ser beneficiado pelos seus companheiros?
Responde, bom homem, pois a lei ordena que respondas. Há alguém que deseje que
lhe façam mal?
«Decerto
que não.»
Bem.
Quando me acusas de corromper os jovens e de os tornar piores, acusas-me de o
fazer voluntária ou involuntariamente?
«Voluntariamente.»
O quê,
Meleto, com a idade que tens já és mais sábio que eu, com a minha. Já
reconheceste que os maus fazem sempre mal aos que têm perto de si e os bons
fazem sempre bem? E terei eu chegado a tal ponto de ignorância que até isto
ignoro, que, se fizer mal a um companheiro, corro o perigo de receber dele
algum mal? E de tal maneira o ignoro que, pelo que dizes, faço esse mal
voluntariamente?
Não
posso deixar-me convencer disso, Meleto, nem creio que se passe com qualquer
outro homem! Ou eu não corrompo, ou, se corrompo, corrompo involuntariamente.
Em qualquer dos casos, estás a mentir. E, se os corrompo involuntariamente, a
lei não manda acusá-los em tribunal, mas instruí-los e censurá-los
particularmente. Porque é evidente que, se me ensinasses, eu deixaria de fazer
o que involuntariamente faço. Mas tu fugiste de vires ter comigo e me
instruíres. Não o quiseste fazer e agora acusas-me aqui, onde a lei manda
acusar os que precisam de castigo e não de instrução.
Platão, Apologia de Sócrates,
trad. de José Trindade Santos, Lisboa, Ed. Imprensa Nacional, 1992, 24d-26a
E para quem quiser acompanhar este texto com imagem, aqui deixo um excerto do filme do cineasta italiano Roberto Rossellini, "Socrates", com base na obra de Platão "Apologia de Sócrates". O filme data de 1971 e procura ser historicamente fiel, quer na reconstituição histórica do ambiente quer nas falas dos diferentes personagens, ao processo de acusação e condenação á morte do filósofo ateniense, em 399 a.C., tal como apresentado na Apologia.
Excerto do filme "Socrates" de Rossellini
![]() |
| Gettyimages.pt |
No meio da agitação da cidade, que produz, ao
mesmo tempo, disparates e obras-primas, Sócrates vai passeando e falando. À
primeira vista o seu comportamento é o de um sofista, pois fala de tudo, seja o
que for; mas pela sua parte não abre uma escola. Não ensina; o que diz é ao
sabor das conversas que enuncia, sem pedir que lhe paguem, sem sequer exigir
que o escutem. Á juventude interessa-se muito pelos seus discursos. Porque
fala, se nenhum interesse pessoal tem em fazê-lo?
A esta
pergunta responde a defesa que de si próprio fez Sócrates, durante a primeira
parte do seu processo e que Platão gravou na Apologia.(…) Outrora, Querofonte,
um amigo de Sócrates, resolveu consultar o oráculo de Delfos: perguntou-lhe se
haveria um homem mais sábio do que Sócrates. Ora o deus respondeu que não
havia. Esta declaração colocou Sócrates no maior dos embaraços. “Que poderia
querer dizer o deus? Qual seria o sentido deste enigma? Porque, no fim de
contas, eu não tenho nem muito nem pouco, consciência, no mais profundo de mim,
de ser um sábio. Que quererá ele dizer ao declarar que eu sou o mais sábio dos
homens? Com efeito, é certo que ele não mente, pois tal não lhe é permitido”
(Apologia de Sócrates, 21-b). Decidiu, pois, pôr o oráculo à prova. Interrogou
primeiro um homem político, isto é, um daqueles cuja profissão é guiar os seus
semelhantes. Ao sair desta conversa, Sócrates teve de concordar. “Eis um homem
que é menos sábio do que eu. É possível, com efeito, que não saibamos nada, nem
um nem outro, de útil. Mas ele nada sabendo, julga que sabe, enquanto eu,
embora nada saiba, não julgo saber! Pareço, em todo o caso, ser mais sábio do
que aquele, pelo menos num pequeno ponto, precisamente este: que aquilo que eu
não sabia também não julgava sabê-lo”(Ibidem, 21-d).
As
diligências junto dos poetas levam-no a uma convicção análoga. Pois “trata-se
de pessoas que dizem muitas coisas belas mas que não têm nenhum conhecimento
preciso sobre as coisas que dizem” (Ibidem, 22-c).
Quanto
aos que exercem ofícios, possuem um saber especializado, mas enganam-se ao
julgar que, porque exercem a sua técnica na perfeição, são também no resto, de
uma sabedoria completa.
Sócrates
tem que se convencer: a divindade disse a verdade. Ele é realmente o mais
sábio. E, no entanto, daquilo que sente – o facto de não ser sábio – também não
pode recusar a evidência. Assim, convém que se interprete o oráculo: o que ele
quis dizer é que a sabedoria humana “tem pouco valor ou talvez mesmo nenhum”;
mas, sobretudo, ele fixou para Sócrates uma missão: procurar por toda a parte o
homem sábio e, se ele não existir, denunciar a falsa sabedoria. A sua tarefa: é
a de fazer parir as suas almas, como fazem as parteiras em relação ao corpo das
mulheres. No que a ele se refere nada procria: “Em mim não há gestação de
saber, e a censura que me foi feita por muita gente, de fazer perguntas aos
outros e nada produzir por mim próprio sobre nenhum assunto, por não ser
possuidor de qualquer saber, é uma censura com fundamento” (Teeteto,
150-c).
Sócrates
comporta-se como um “moscardo”[1], espicaça as consciências
adormecidas no sono fácil das ideias feitas. Essa atitude tem, evidentemente,
para ele a consequência de ser detestado geralmente, pois dirige-se a todas as
camadas da sociedade para, indiferentemente lhes contestar as certezas. Aliás,
basta considerar a profissão daqueles que contribuíram para a sua acusação para
se ter a certeza de que não deixa ninguém em paz. Encontramos Ânito a
representar os políticos, Meleto, os poetas, Lícon, os oradores e os
professores de retórica. O processo é a reação da cultura adquirida contra um
pensamento que recusa todo o adquirido, seja ele antigo ou de recente data.(…)
A
conclusão dos diálogos socráticos é em geral negativa. Aparentemente as duas
partes em diálogo saem a perder. O homem seguro de si que, solicitado por
Sócrates, vinha para o diálogo com as suas respostas (ou com perguntas cujas
respostas ele estava convencido que conhecia) e fingia prestar atenção à
conversa sai alquebrado, irritado ou decidido a andar para a frente – o que não
é frequente -, ora a troçar ou a detestar o ironista que com tanta exatidão
destrói as suas crenças. (…) À opinião, ele não opôs, como um desses sofistas
em moda, outra opinião. Provou a ineficácia de toda a atitude mental, de toda a
conduta baseada na opinião. Ele pôs em evidência o vazio da opinião.
CHÂTELET, François (dir.), História
da Filosofia, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1974, vol. 1, pp.74-77.
[1]
“(…) Se me matardes, não encontrareis com facilidade outro como eu, que – para falar
gracejando – se agarra à cidade como um moscardo a um cavalo forte e de bom
sangue que, por causa do tamanho, precisa de ser despertado por um aguilhão.
Parece-me que é como se o deus me tivesse preso à cidade, para que eu acorde,
convença e exorte cada um de vós durante todo o dia, em qualquer lugar e sem
afrouxar o cerco. Outro como eu não vos aparecerá facilmente. Se, pois, tendes
confiança em mim, poupai-me. Mas talvez, como quem é acordado alta noite,
persuadidos por Ânito, vos irriteis comigo e, movidos pela cólera, me mateis
sem pensar. Passareis então o resto da vida a dormir, a menos que o deus envie
algum outro para vos inquietar”. Apologia de Sócrates, 30e.
Os grandes sofistas não são de
proveniência ateniense. Estrangeiros, viajam de cidade democrática em cidade
democrática, demorando-se apenas nas mais importantes, especialmente em Atenas.
A variedade das figuras e dos estilos, torna difícil uma definição geral. (…) A
expansão da deliberação democrática favorece o espírito crítico e as
iniciativas e reivindicações individuais, exigindo, da parte daqueles que
melhor posição têm, e pelo menos dos mais ambiciosos, a aprendizagem da
manipulação retórica[1] das assembleias e a
determinação dos ideias individuais e coletivos que nelas deve permanecer.
Estas necessidades permitem compreender como no mundo grego do século V puderam
aparecer os sofistas. Ora mais políticos como Protágoras de Abdera, ora mais
retóricos como Górgias de Leontinos, ora mais preocupados em acumular
conhecimentos técnicos como Hípias de Élis, tiveram em comum o pretenderem
ensinar, a níveis mais ou menos distintos, segundo os casos, uma arte de viver
e de vencer obstáculos na comunidade democrática. É difícil reconhecer-lhes
doutrinas bem claras e porque comerciavam com o seu saber, tinham de
interessar-se fundamentalmente pela exposição, argumentada de forma eficaz, das
mais contraditórias concepções. O relativismo de Protágoras, o mais antigo e prestigiado
dos sofistas, talvez seja a doutrina de um homem sem doutrina, que sabe quanto
vale o por e o contra teóricos.
É preciso um novo modo de educação. Qual
era, com efeito, o modo de formação tradicional? Ensinava-se os homens a serem
bons cavaleiros, homens pios, respeitadores das divindades e da recordação dos
antepassados. Isso não basta agora! É preciso saber falar. A palavra é
doravante, aquela que permite a cada um, na Assembleia, nos processos, fazer
valer o seu ponto de vista. É graças a ela que o cidadão pode defender a sua
posição e a sua independência, que ele se impões na cidade.
A civilização da linguagem – assim chama
Aristófanes[2]
ao novo ensino. Abrem-se novas escolas, dirigidas por metecos, que suscitam uma
afluência considerável. Os mais ilustres desses mestres, Górgias, Protágoras,
Hípias, têm como único programa ensinar os seus alunos a bem falar de tudo,
seja o que for, a defender com persuasão, seja que causa for.
François
Châtelet, História da Filosofia
[1]
A Retórica surgiu no século V, na Grécia Antiga, tendo inicialmente como seus
principais cultores os sofistas. É uma arte do discurso, associada à
argumentação e tendo como objetivo a persuasão. Assim, não tem que se associar
a retórica diretamente à manipulação. Persuasão e manipulação são diferentes.
Enquanto a persuasão visa a adesão do interlocutor apelando à sua
racionalidade, a manipulação utiliza estratégias argumentativas por vezes
falaciosas e visa a adesão do interlocutor “a qualquer custo”.
[2]
Aristófanes é um dramaturgo grego, séc. V, a.c., autor de comédias que
criticavam, satirizando, diversos aspetos da sociedade ateniense. Atacou, por
exemplo, os sofistas, considerando-os como habilidosos que faziam o falso
parecer verdadeiro, e o poder perigoso da linguagem quando utilizada por
“demagogos”. O termo “demagogo” significava inicialmente “líder do povo”, sem
conotação negativa. Esta foi sendo adquirida pela prática da utilização do
discurso com a finalidade de obtenção do poder pessoal através de técnicas
retóricas enganosas, o que Aristófanes critica. Em vez da utilização de uma
argumentação racional para defender uma ideia, há a utilização de preconceitos
e medos do povo, jogando com as suas emoções, com vista a provocar a sua
adesão. O demagogo não tem preocupação com a verdade ou o justo, ou com os
interesses do povo, tem apenas um projeto pessoal de domínio e obtenção do
poder político, para o qual todos os meios servem, incluindo a mentira.
Platão e Aristóteles classificarão os demagogos como “aduladores do povo”. O
demagogo não é um líder, mas um oportunista e a sua má utilização da retórica
corrompe a política e a democracia.
Obsv. - Notas da nossa responsabilidade.
O pintor J. Louis David, em 1787, representa nesta célebre pintura o filósofo Sócrates nos momentos que antecedem a sua morte.
A pintura de J. Louis David ilustra a heroicidade do filósofo, a sua aceitação da morte, a sua figura tranquila apontando para cima, sugerindo a imortalidade da alma, contrastando com a postura cabisbaixa, com a tristeza dos seus discípulos, nomeadamente Críton e Platão (embora a presença física de Platão no cárcere com outros discípulos de Sócrates não corresponda à verdade histórica).