Que ninguém, por ser jovem, tarde em filosofar nem, por ser velho, se canse da filosofia. Porque nunca se é nem demasiado jovem nem demasiado velho para alcançar a saúde da alma. O que diz que a hora de filosofar ainda não chegou, ou que já passou, é semelhante ao que diz que a hora de ser feliz ainda não chegou, ou que esta hora já findou. Que ninguém, por ser jovem, tarde em filosofar nem, por ser velho, se canse da filosofia. Por conseguinte, tanto o jovem como o velho devem filosofar, um para que, apesar de a idade avançar sobre ele, se conserve jovem em bens, por causa da alegria que sente em relação ao passado, o outro para que, embora jovem, possa simultaneamente amadurecer graças ao seu destemor diante do futuro. Convém, por isso, meditar sobre as coisas que dão origem à felicidade, pois quando ela está presente temos tudo, enquanto que se está ausente tudo fazemos para a alcançar.
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É por esta razão que dizemos que o prazer é o princípio e o fim da vida feliz. Pois é ele que reconhecemos com o bem primeiro e natural, a partir do qual fazemos todas as escolhas e rejeições, e é a ele que nos referimos quando julgamos qualquer bem tomando o sentimento como critério. Ora é justamente porque este é o bem primeiro e natural que não escolhemos qualquer prazer, antes, por vezes, desprezamos muitos, sempre que deles resulte um desprazer maior para nós.
Epicuro, «Carta a Meneceu», in Cartas, Máximas e Sentenças, Lisboa, Ed.Sílabo, 2009, p.122 e 129.
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