segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O Pensamento racional

A filosofia e a ciência começam por classificar-se como formas de pensamento racional em oposição ao pensamento mítico. Os primeiros filósofos eram também “cientistas”, procurando explicações lógicas e racionais para aquilo que observavam. Vemos que:

Tales, séculos VII-VI a.C., o dito primeiro filósofo, era astrónomo e matemático. Sabe-se que previu um eclipse do sol em 585 a. C. e que calculou a altura da pirâmide de Quéops, a partir da sua sombra. Ainda hoje se mantém válido o teorema de Tales.

Pitágoras continua a ser conhecido principalmente pelo seu contributo matemático, o teorema de Pitágoras.

Já no período clássico, Platão, séc. IV a.C., valorizava o pensamento matemático de tal forma que o considerava propedêutico para a filosofia. “Não entres se não és geómetra” é a inscrição à entrada da Academia de Platão, a escola fundada por si.

Aristóteles, séc. IV a.C., escreveu o que se considera ser o primeiro tratado de zoologia com a primeira classificação dos seres vivos.

Descartes, filósofo francês, século XVII, foi o inventor da Geometria Analítica e poderíamos continuar...

O termo ciência, originariamente, significa um saber racional, explicativo, teórico, organizado e sistematizado. Neste sentido a filosofia foi considerada ciência e, pelas características do seu objeto, a totalidade do real, foi durante séculos considerada a ciência superior ou suprema, englobando todas os saberes. O saber humano considerava-se como pertencendo a uma unidade, num sistema hierarquizado de que a filosofia constituía a ciência primeira, a ciência dos princípios e dos fundamentos.

Ao mesmo tempo, considerava-se como a “mãe das ciências”, visto que todas os saberes parcelares surgiram do seu seio, tendo-se autonomizado progressivamente. Vemos a área de conhecimento hoje conhecida por “Física” ter sido durante muito tempo designada “Filosofia Natural”. É assim que aparece ainda no título da importante obra de Física de Isaac Newton (século XVII-XVIII) “Princípios Matemáticos de Filosofia Natural” (1687).

A separação e a distinção entre filosofia e ciência foi sendo estabelecida progressivamente a partir do trabalho de Galileu (século XVII) e da descoberta de um método de análise da realidade baseado na experiência e na abordagem matemática dos fenómenos físicos observados. Surgia o método globalmente designado como experimental, que determinou não só o surgimento da Física como ciência autónoma, mas também se afirmou como o procedimento científico de referência. Doravante, para qualquer saber aceder ao estatuto de ciência teria que adotar a metodologia experimental. Este método científico, se bem que tenha sofrido ajustamentos e se tenha de adaptar a cada objeto específico de estudo e investigação, continua a caracterizar-se pelo rigor nos procedimentos de observação e testagem experimental, pelo vocabulário preciso e linguagem técnica, pela participação e controle dos pares no âmbito de comunidade científica. Assim, se a ciência for definida pela utilização da metodologia experimental, a filosofia não pode ser considerada ciência. A natureza dos problemas da filosofia não suporta uma abordagem experimental.  Não há ciência experimental que nos possa dizer o que é o bem e o mal, o justo e o injusto…A filosofia continua a ter como método a reflexão, a crítica, o pensamento rigoroso, a argumentação lógica e racional.

Hoje em dia, a Filosofia e a Ciência constituem-se como campos de saber que utilizam métodos distintos de abordagem do real. Continuam a ser consideradas formas racionais de compreensão e explicação da realidade, nas suas diversas dimensões, ambas nascidas da mesma busca pela verdade.



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