A filosofia e
a ciência começam por classificar-se como formas de pensamento racional em
oposição ao pensamento mítico. Os primeiros filósofos eram também “cientistas”,
procurando explicações lógicas e racionais para aquilo que observavam. Vemos que:
Tales, séculos
VII-VI a.C., o dito primeiro filósofo, era astrónomo e matemático. Sabe-se que
previu um eclipse do sol em 585 a. C. e que calculou a altura da pirâmide de Quéops,
a partir da sua sombra. Ainda hoje se mantém válido o teorema de Tales.
Pitágoras
continua a ser conhecido principalmente pelo seu contributo matemático, o
teorema de Pitágoras.
Já no período clássico, Platão, séc. IV a.C., valorizava o pensamento
matemático de tal forma que o considerava propedêutico para a filosofia. “Não
entres se não és geómetra” é a inscrição à entrada da Academia de Platão, a
escola fundada por si.
Aristóteles, séc. IV a.C., escreveu o que se
considera ser o primeiro tratado de zoologia com a primeira classificação dos
seres vivos.
Descartes, filósofo francês, século XVII, foi o inventor da Geometria Analítica e poderíamos continuar...
O termo
ciência, originariamente, significa um saber racional, explicativo, teórico, organizado
e sistematizado. Neste sentido a filosofia foi considerada ciência e, pelas
características do seu objeto, a totalidade do real, foi durante séculos
considerada a ciência superior ou suprema, englobando todas os saberes. O saber
humano considerava-se como pertencendo a uma unidade, num sistema hierarquizado
de que a filosofia constituía a ciência primeira, a ciência dos princípios e
dos fundamentos.
Ao mesmo
tempo, considerava-se como a “mãe das ciências”, visto que todas os saberes
parcelares surgiram do seu seio, tendo-se autonomizado progressivamente. Vemos
a área de conhecimento hoje conhecida por “Física” ter sido durante muito tempo
designada “Filosofia Natural”. É assim que aparece ainda no título da
importante obra de Física de Isaac Newton (século XVII-XVIII) “Princípios
Matemáticos de Filosofia Natural” (1687).
A separação e
a distinção entre filosofia e ciência foi sendo estabelecida progressivamente a
partir do trabalho de Galileu (século XVII) e da descoberta de um método de
análise da realidade baseado na experiência e na abordagem matemática dos
fenómenos físicos observados. Surgia o método globalmente designado como
experimental, que determinou não só o surgimento da Física como ciência
autónoma, mas também se afirmou como o procedimento científico de referência.
Doravante, para qualquer saber aceder ao estatuto de ciência teria que adotar a
metodologia experimental. Este método científico, se bem que tenha sofrido
ajustamentos e se tenha de adaptar a cada objeto específico de estudo e
investigação, continua a caracterizar-se pelo rigor nos procedimentos de
observação e testagem experimental, pelo vocabulário preciso e linguagem
técnica, pela participação e controle dos pares no âmbito de comunidade
científica. Assim, se a ciência for definida pela utilização da metodologia
experimental, a filosofia não pode ser considerada ciência. A natureza dos
problemas da filosofia não suporta uma abordagem experimental. Não há ciência experimental que nos possa
dizer o que é o bem e o mal, o justo e o injusto…A filosofia continua a ter
como método a reflexão, a crítica, o pensamento rigoroso, a argumentação lógica e racional.
Hoje em dia, a
Filosofia e a Ciência constituem-se como campos de saber que utilizam métodos
distintos de abordagem do real. Continuam a ser consideradas formas
racionais de compreensão e explicação da realidade, nas suas diversas dimensões, ambas nascidas da mesma busca pela verdade.